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3.º Ciclo

12 – 15 anos · 7.º ao 9.º ano

Vamos ser diretos: nesta idade já lidas com situações sérias online. Sextorsão, deepfakes, grooming, controlo em relações — tudo isto acontece a gente da tua idade em Portugal. Esta secção não vai disfarçar nem tentar assustar. Vai dizer-te o que sabemos, para tu decidires bem.

O que vais aprender

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Imagens íntimas: o que precisas mesmo de saber

Partilhar imagens íntimas é sempre arriscado — mesmo com alguém em quem confias hoje. Em Portugal, divulgar imagens íntimas sem consentimento é crime (art. 193º-A do Código Penal). Se já enviaste ou estás a ser pressionado, há ajuda: 800 21 90 90 (Linha Internet Segura, gratuita e confidencial).

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Sextorsão

Alguém ameaça partilhar imagens tuas se não pagares ou enviares mais. Conselho de quem sabe: NÃO PAGUES. Pagar nunca para a chantagem — só confirma que estás vulnerável. Bloqueia, guarda as provas (capturas de ecrã) e fala com um adulto ou liga 800 21 90 90.

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Deepfakes e imagens falsas

Hoje há apps que criam imagens íntimas falsas a partir de fotos vestidas — uma pessoa vê uma foto tua na praia e pode gerar uma versão nua. Se aconteceu contigo ou com um colega, é crime. Denuncia à GNR/PSP e faz queixa.

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Grooming: como funciona

Adultos predatórios não chegam logo a pedir coisas. Levam semanas: tornam-se "amigos especiais", fingem ter a tua idade, fazem-te sentir único, conquistam confiança. Depois isolam-te e começam os pedidos. Se um "amigo" online te pede para guardares segredos dos pais, é alarme grave.

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Controlo em relações

Se o teu namorado/a pede acesso às tuas contas, quer saber onde estás a toda a hora, manda-te bloquear amigos ou exige fotos como "prova de amor" — isso não é amor. É controlo. Numa relação saudável, há confiança sem vigilância.

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A tua pegada digital tem 10 anos pela frente

Universidades, empregadores e até pessoas que namorares fazem buscas no Google sobre ti. O que publicares hoje pode aparecer numa entrevista daqui a 5 anos. Faz já uma pesquisa do teu nome — vê o que aparece.

Histórias reais

Casos anonimizados que aconteceram em Portugal. Os nomes foram alterados.

A Carolina e o "namorado virtual"

A Carolina, 14 anos, namorou online durante 3 meses com alguém que dizia ter 15 anos e morar no Porto. Ele dizia coisas lindas, fazia-a sentir-se especial. Pediu uma foto sem t-shirt — só uma, "para guardar com carinho". A Carolina enviou. Duas semanas depois, ele começou a ameaçar: "Manda mais fotos ou envio esta aos teus pais e à escola". Era um adulto de 40 anos. A Carolina contou à tia, ligaram à Linha Internet Segura, fizeram queixa à Polícia Judiciária. Conseguiram apanhar o predador — ele já tinha feito o mesmo a outras 8 raparigas.

O que aprendemos: Se já enviaste uma imagem íntima e estás a ser chantageada, não estás sozinha e não tens culpa. Fala. A polícia ajuda — não te julga.

O Rafael e o deepfake do 9.º ano

Alguém pegou em fotos das redes sociais de uma colega do Rafael e usou uma app para criar imagens íntimas falsas. Espalharam-se pela escola pelo WhatsApp. A colega não tinha feito nada — mas o estrago foi enorme. O Rafael recebeu as imagens mas não reencaminhou — fez captura e mostrou ao diretor de turma. A polícia investigou e identificou o autor (um colega do 9.º ano). Foi instaurado processo. As imagens, segundo a lei portuguesa, foram tratadas como pornografia de menores — mesmo sendo falsas.

O que aprendemos: Imagens falsas são crime. Se receberes, não partilhes — mostra a um adulto. Quem reencaminha também pode ser responsabilizado.

A Inês e o "amor controlador"

A Inês, 15 anos, namorava o Pedro, do mesmo ano. O Pedro pediu a palavra-passe do Instagram dela "porque se gostavam não havia segredos". Depois começou a ler as conversas dela com as amigas e a chatear-se quando ela falava com outros rapazes. Pedia localização em tempo real. A Inês começou a perder amigas. A mãe notou e conversou com ela: aquilo não era amor, era controlo. A Inês terminou. O Pedro precisou de ajuda — comportamento controlador na adolescência é sinal de problemas mais profundos.

O que aprendemos: Amor não tem palavra-passe partilhada nem localização ao minuto. Tem confiança e espaço para ambos.

Dicas rápidas

  • NUNCA partilhes imagens íntimas — de ti ou de outros
  • Se receberes imagens íntimas de um colega, não reencaminhes (mesmo "por brincadeira") — pode ser crime
  • Ativa a verificação em dois passos em todas as tuas contas (Instagram, TikTok, Discord, email)
  • Se alguém te ameaçar com imagens, NÃO PAGUES e NÃO ENVIES MAIS — fala com um adulto ou 800 21 90 90
  • Faz hoje uma pesquisa do teu nome no Google e remove o que não queres
  • Numa relação saudável, ninguém pede acesso às contas do outro

Testa os teus conhecimentos

Responde às perguntas abaixo para verificares o que aprendeste.

Pergunta 1 de 10

Um colega partilha no grupo da turma uma foto editada com a cara de uma colega num corpo nu. Isto é: